A saúde bucal envolve mais aspectos do que somente um sorriso alinhado; está relacionada também com a saúde geral.
Sobretudo, algumas doenças bucais, como gengivite e cáries, podem se complicar e gerar doenças mais graves em outras partes do corpo, como o coração e os pulmões.
Isso acontece porque as bactérias da boca migram pela circulação sanguínea e provocam reações inflamatórias e infecciosas. Neste artigo, vamos falar mais sobre essas condições e como prevenir doenças sistêmicas.
De que maneira a saúde bucal influencia a saúde geral?
A boca é a porta de entrada para o nosso organismo e, mais do que isso, é um ambiente propício para o desenvolvimento de bactérias. Isto é, a boca é escura, quente e úmida, e os alimentos e bebidas consumidos servem como alimento e fornecem nutrientes também para esses micro-organismos.
Nesse local, que é considerado o ideal, diversos tipos de bactérias nocivas se acumulam em torno dos dentes e das gengivas. Desse modo, existe a chance de desenvolvimento da doença periodontal, por exemplo, que é uma inflamação nas gengivas e ossos que cercam os dentes.
Kimberly Bray, professora de higiene bucal na Universidade de Missouri-Kansas City, explica que essas condições são exemplos de como a saúde da boca influencia o restante do corpo. Ou seja, no início, a chamada gengivite, que se apresenta como inchaço nas gengivas, se não for tratada da forma adequada, pode evoluir para a periodontite.
Ananda P. Dasanayake, professora de epidemiologia da faculdade de odontologia da Universidade de Nova York, conta que, na periodontite, as bactérias e seus subprodutos tóxicos passam da superfície das gengivas e dos dentes para a corrente sanguínea, de onde acabam se espalhando para diferentes órgãos.
Adiante vamos esclarecer melhor cada doença e sua relação com a saúde da boca.
Doenças cardiovasculares
Doenças na boca, como gengivite e cáries, em algumas situações, se espalham pelo sangue e causam inflamações nas artérias.
Segundo pesquisa realizada em 2019 pelo Instituto do Coração (InCor), da Universidade de São Paulo (USP), 45% das doenças do coração e 36% das mortes por problemas cardíacos se relacionam com a saúde bucal — principalmente com doenças gengivais e periodontais.
As placas bacterianas na boca inflamam os dentes, os tecidos e os ossos. Assim pode ocorrer uma invasão dessas bactérias no corpo, que se fixam nas paredes e vasos do coração. Isso prejudica a circulação do sangue e causa problemas cardiovasculares.
Nesse sentido, as doenças cardíacas mais ligadas a problemas bucais são arritmia e endocardite.
Doenças respiratórias
Pneumonias possuem várias causas: bactérias, micoplasmas, fungos, vírus e parasitas. Esses agentes infectam a orofaringe e depois descem para o trato respiratório.
Contudo, as bactérias da placa dental também pioram doenças respiratórias, principalmente em pessoas que apresentam quadros mais debilitados de saúde. As bactérias mais frequentes são Streptococcus pneumoniae, S. pyogenes, Mycoplasma pneumoniae e Haemophilus influenzae. Essas são bactérias encontradas na boca e também causam bronquite e sinusite.
Herpes
Pequenas feridas na boca, em alguns casos, podem indicar baixa imunidade.
Dessa forma, a herpes — que é um vírus e fica para sempre no organismo — apresenta como sintomas principais feridas pela boca, gengivite, salivação em excesso, além de dor e febre.
As feridas na boca aparecem quando a imunidade está baixa, por conta de estresse, gripe, febre ou outros fatores.
Quais cuidados devemos manter para evitar essas doenças sistêmicas?
De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 60% da população brasileira não tem acesso a serviços odontológicos de qualidade, o que contribui para o aumento de problemas como cáries, doenças periodontais e perda dentária precoce. Além disso, 55% dos brasileiros não vão ao dentista pelo menos uma vez ao ano.
Esses dados demonstram que a falta de visitas ao dentista pode ser um fator preocupante, principalmente para identificar doenças mais graves, como as que citamos ao longo deste artigo.
Assim também percebemos que, especialmente durante o período da gestação, a higiene da boca deve estar em dia. Caso contrário, existem riscos para a gestante e o desenvolvimento do bebê. Neste conteúdo explicamos melhor sobre o tema.
Portanto, uma das dicas essenciais para evitar doenças sistêmicas é visitar um dentista de confiança com frequência e, é claro, manter a higiene bucal em dia. Nessas consultas será possível identificar sinais de doenças e, então, iniciar o tratamento necessário ou encaminhar o paciente para um especialista.
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